Nada abala o otimismo de Pierre Lévy com a Internet. Um dos principais teóricos da revolução digital, filósofo da informação e professor de comunicação na Universidade de Ottawa (Canadá), Lévy acha que a grande questão colocada hoje à rede é apenas aumentar as informações disponíveis, o que é o objeto de sua linha de estudo atual.
Lévy foi quem propôs o conceito de "inteligência coletiva" no começo dos anos 90, quando a Internet comercial ainda engatinhava. Hoje, "sem falsa modéstia", diz que o seu conceito virou um padrão.
Ao contrário do que muitos poderiam esperar, Lévy não acha que a web 2.0 ou web participativa, um dos principais focos de discussão atual sobre a rede, seja uma novidade.
"A web 2.0 significa apenas que há muito mais gente a apropriar-se da tecnologia da Internet, o que a torna um fenômeno social de massas. Significa que já não é necessário recorrer a intermediários ou técnicos. Do ponto vista de conceito de base, não há uma grande diferença em relação à Internet original", disse Lévy, em entrevista à Folha.
O autor de As Tecnologias da Inteligência, Cibercultura e A Inteligência Coletiva não se preocupa com pensadores que são cépticos ou prudentes em relação aos riscos da rede, como o francês Paul Virilio . Só para citar algumas discussões que não o preocupam: várias bibliotecas européias resistem ao avanço da digitalização, temendo o poder excessivo das companhias que deteriam os seus acervos (Google e Microsoft, essencialmente); a proliferação de blogs ameaça empresas de comunicação que investem na qualidade da informação; direitos de autor são cada vez mais ameaçados, etc.
Sobre esse último exemplo, Lévy solta uma gargalhada ao ser lembrado do caso recente da fuga para a rede da última edição da saga Harry Potter. "A ameaça aos direitos de autor é um problema por um lado, mas é bom por outro. Não sou desses que são contra o direito de autor. Sou a favor, mas o objectivo final deve ser a criação. O direito de autor é um meio, não devemos confundir um com outro", diz.