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10|07|2006


   




Empresários de países pequenos de olho no potencial de crescimento do Brasil


Mais duas câmaras de Comércio


Reflexo da estabilidade monetária, da triplicação do saldo comercial brasileiro nos últimos três anos e da perspectiva de maior crescimento econômico daqui para diante, as câmaras de Comércio têm proliferado-se no Brasil. Ainda este ano, serão criadas no Rio de Janeiro as câmaras da Namíbia e de El Salvador, de acordo com o presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE), João Augusto de Souza Lima.

Em 2005, outras dez instalaram-se na região. Além disso, duas instituições associadas à FCCE, a de Honduras e a de Niamar (antiga Birmânia), serão incrementadas neste ano. A FCCE, hoje, agrupa cerca de 150 Câmaras de Comércio.

Recentemente, a Embaixada de Portugal anunciou a instalação, no Estado de Santa Catarina, da décima Câmara de Comércio Portuguesa no Brasil.] "As Câmaras de Comércio representam fator de dinamização das relações empresariais entre Portugal e Brasil, proporcionando aos operadores econômicos informação atualizada sobre as condições de trabalho em ambos os mercados e melhor conhecimento das oportunidades de negócio", defendeu o embaixador português no Brasil, Francisco Seixas da Costa. 

As exportações brasileiras para Portugal vêm crescendo ano a ano: passaram de US$ 628,2 milhões em 2003 para US$ 961,7 milhões no ano seguinte e, para US$ 1,0 bilhão em 2005.

Na Confederação Nacional do Comércio (CNC), que representa o comércio de bens, serviços e turismo, também se verifica aumento da atividade. Segundo Renata Pantoja, da divisão jurídica da CNC, três novas Câmaras de Comércio - órgãos consultivos da diretoria da Confederação - iniciaram atividades neste mês: a de Informática, a de Materiais de Construção e a de Serviços de Telecomunicações. Setores que, segundo ela, não tinham representatividade.

A CNC tem outras quatro Câmaras de Comércio em funcionamento: a de Serviços Terceirizáveis, a de Produtos Farmacêuticos e a Empresarial de Turismo. Os 866 Sindicatos dos Empresários do Comércio filiados à CNC representam 60% do Produto Interno Bruto (PIB).


Aquecimento


O presidente da Câmara de Comércio França-Brasil (CCFB), Michel Durand Mura, confirmou o aquecimento do setor. Segundo ele, o número de consultas à Câmara foi quatro vezes maior em 2005, em relação ao ano anterior. Foram recebidas cerca de mil consultas por parte de empresários 60% delas oriundas de brasileiros e 40% de franceses interessados em estimular o comércio bilateral entre os países.

A CCFB, a mais antiga Câmara instalada no Brasil (desde 1900), tem hoje cerca de 850 associados número 10% maior que 2004. Para 2006, Mura também prevê o mesmo porcentual de crescimento na quantidade de associados. Este ano, grandes empresas como Natura e Votorantim se associaram à CCFB.

"A França recuperou o quarto lugar entre os países que mais investem no Brasil. Hoje, as empresas francesas têm um estoque de investimentos de US$ 12 bilhões e geram 250 mil empregos diretos", disse Mura.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras para a França passaram de US$ 1,7 bilhão, em 2003, para R$ 2,2 bilhões no ano seguinte, e para US$ 2,5 bilhões em 2005.

"As Câmaras de Comércio estão se aproveitando desse momento de comércio exterior mais dinâmico", afirma. O executivo estima que as empresas associadas à CCFB tenham um faturamento anual aproximado de US$ 25 bilhões. Entre estas companhias estão renomadas como Saint-Gobain e Rhodia.

Mura acaba de ser eleito para assumir, em 31 de julho, a presidência da Eurocâmaras, que agrupa as 12 câmaras de comércio européias constituídas legalmente no Brasil e os cinco consulados da região no País. São mais de cinco mil empresas associadas ao órgão, cuja força econômica deverá ser utilizada na busca de melhorias no comércio exterior.


De acordo com Mura, a retomada do interesse dos empresários europeus no Brasil tem ocorrido com mais intensidade. "O consenso é de que, em um período de até dois anos, o País alcance o grau de investimento (investment grade). E isso será muito importante em termos de imagem e de acesso ao crédito internacional", avalia.

Na visão de Mura, antes de o Brasil atingir o grau de investimento deverão ser encampadas, entretanto, algumas reformas, como a tributária - sobretudo no que se refere à bitributação internacional - e a da previdência social, cujo déficit está à beira do insustentável.

O presidente da CCFB e futuro comandante da Eurocâmaras no Brasil cita a problemática relacionada à propriedade intelectual. "Demora muito para um empresário conseguir uma patente", afirmou. Da mesma forma que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mura também quer conversar com os candidatos à Presidência da República para tentar influenciar suas plataformas políticas de olho na aplicação de medidas que estimulem o crescimento da economia.


A Câmara Americana de Comércio (Amcham) é outra que trabalha com propostas para dinamizar o ambiente de negócios brasileiro e impulsionar a indústria e o comércio locais. Uma delas é polêmica, pois, para alguns, pode representar a última pá de cal no Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul).

Mercosul

A Amcham nacional defende que os países integrantes do Mercosul possam negociar acordos diretos com outros países e, dessa forma, o bloco ficaria restrito a um acordo de aduaneiras. "Com o que o Mercosul tem contribuído? O bloco não existe", disse o diretor-executivo da Amcham Brasil, Arthur Diegues Vasconcellos.

A outra proposta da Amcham é acabar com os vistos de negócios na Alfândega. "O prazo para se conseguir visto como esse demora cerca de 150 dias", lamenta. A terceira iniciativa da Amcham é a eliminação de algumas tarifas portuárias, como o imposto sobre a marinha mercante, que, na avaliação de Vasconcellos, "atravancam o comércio".


No tocante à reforma tributária, a Amcham tem lutado para que as emissões de certidões negativas ocorram de forma mais rápida. "Temos pressionado o Congresso por lei, escrita pela Amcham, que diminua o compliance das empresas e facilite ao contribuinte a apresentação de suas informações de total quitação com a Fazenda, debilitada, criando grandes empecilhos à comunidade empresarial", disse Vasconcellos.


Assim como a CCFB, a Amcham, segunda maior câmara americana de comércio do mundo, também tem forte preocupação com a propriedade intelectual. "O Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) tem fila de cerca de 600 mil marcas e patentes. O atraso chega a dez anos", afirmou. Neste ponto, a Amcham já colheu avanços.


Segundo Vasconcellos, a Câmara influenciou na nomeação de Roberto Jaguaribe para a presidência do Inpi (no final de 2004), além de ter conseguido a liberação de recursos para a contratação de 540 pessoas para o Inpi. "Temos oferecido ajuda de especialistas norte-americanos em marcas e patentes".


Apesar de o Brasil só representar 1% do comércio mundial e dos seus enormes gargalos estruturais identificados, inclusive, em um estudo anual de competitividade feito pela Amcham , Vasconcellos avaliou que o país tem melhorado em diversos aspectos, o que justifica o crescimento das Câmaras de Comércio no País. "São 180 milhões de brasileiros e se 50 milhões forem consumidores é muito significativo", disse.


A Amcham tem hoje 6,5 mil empresas associadas, sendo que esse número era de 5,5 mil companhias há dois anos e inferior a 500 há 15 anos. Essas empresas empregam mais de 1,6 milhão de pessoas. Outra Câmara de Comércio que tem crescido nos últimos tempos é a Suiço-Brasileira (Swisscam). De 2000 para cá, ela mais do que dobrou o número de empregados e conquistou 71 associados.


Fonte:JORNAL DO COMERCIO
Editoria: Economia - Página: A-6
Andréa Cordioli




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