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17/03/2017

Eficiência, eficácia, colaboração e segurança: as lições dos Métodos Ágeis para a gestão de pessoas



Não adianta ter alto índice de eficiência se a eficácia ficar de lado. A afirmação é de Luiz Cláudio Parzianello, palestrante do primeiro evento do Grupo de Gestão de Pessoas do SEPRORGS, realizado no dia 16/03 no Auditório do SEPRORGS.
 
Segundo ele, muitas empresas, especialmente da área de TI, estão muito focadas na eficiência: fazer bem feito e muito rápido. “Só que não adianta entregar rapidamente algo que ninguém vai usar”, dispara o palestrante. “Por isso a estratégia de produto tem de estar linkada à estratégia de negócios. Primeiro é preciso pensar no mercado, se o produto vai ser útil e trazer retorno do investimento. Não adianta sair fazendo, pois por mais bem projetado que seja, um item não útil não é eficaz”, destaca.
 
Na palestra “Gestão de Pessoas em Organizações Ágeis”, Parzianello destacou cinco pontos inerentes à aplicação de Métodos Ágeis à gestão corporativa: gestão de pessoas, de negócios, de produtos, de projetos e de processos.
 
Para a gestão de pessoas, o especialista é enfático: é preciso ter líderes, mais do que chefes ou gestores. “O líder real entende que não é produtivo exigir o alcance de metas a qualquer custo. Já ouvi muito a frase ‘não interessa se o pato é macho, eu quero é ovo’, isso é inadmissível. O verdadeiro líder conhece o ‘como’, conhece os gargalos, as dificuldades. Ele conhece a ‘cozinha’, sabe as ferramentas necessárias para chegar a um objetivo”, comenta.
 
Para Parzianello, o líder real não manda, apenas, mas decide. “O maior papel de um gestor é tomar decisões. Parece óbvio, mas os gestores não tomam! Eles fazem análises. Só que se você for fazer uma análise que não permita a alguém tomar uma decisão, não faça: será perda de dinheiro”,atesta.
 
Ainda de acordo com o palestrante, a gestão ágil de pessoas requer uma perspectiva baseada em três vigas: encontrar, gerenciar e crescer.
 
Em “encontrar”, entram os processos de recrutamento, seleção e aprovação. Já em “Gerenciar” entram a avaliação, remuneração e gestão de consequências (aplicadas a profissionais que não atingem recorrentemente suas metas). Em “Crescer” cabem o desenvolvimento, a carreira e a sucessão.
 
Esta perspectiva possibilita definir papeis e posições, mas, mais importante do que isso, estabelecer um trabalho em rede, no qual se estabeleçam líderes, mais do que chefes, e colaboradores realmente engajados em criar produtos com base em visão real de mercado e de retorno de investimento.  
 
E os projetos? São importantes, mas somente se forem feitos sobre a realidade, afirma Parzianello. “O projeto é o meio de transformar tudo em um negócio. Mas só funciona se for feito com base no cenário real, e não em modelos distantes, ideais, para inglês ver. Projeto, por definição, prevê um cenário atual e um cenário desejado, estabelecendo uma estratégia assertiva para chegar de um a outro”, explica o especialista.
 
COMUNICAÇÃO
O palestrante também trouxe um dado do PMI que mostra que erros na comunicação são o principal fator de fracasso de projetos de várias áreas, inclusive a TI, em empresas de todos os portes.  
 
E questionou: “aí eu entro em empresas que me perguntam onde estão errando na definição de escopos. Pergunto: se você não consegue se comunicar, como vai definir um escopo”?
 
ESTRATÉGIA X OPERAÇÃO
Outro dado trazido por Parzianello mostra que 85% dos CEOs admite se dedicar pouco à estratégia de negócios, destinando mais tempo à operação de negócios.
 
“Porque a operação é o que gera dinheiro, não é? Não! É preciso estratégia, pensar, definir e decidir”, salientou.
 
PARA ONDE VAMOS?
Parzianello garante: o que está em jogo é o valor gerado pelo negócio/empresa/cargo para o mundo. Aquilo que não entrega valor será extinto em algum momento futuro.
 
“Para mim não faz sentido o cargo de Gerente de Projetos, por exemplo. Não tem porquê você definir um cargo para uma prática. Faz sentido, sim, um gestor de negócios, que enxergue quais tarefas precisam realmente ser feitas e quantos/quais recursos destinar para tais atividades. Neste meio, é importante também entender que atividades são realmente necessárias e quais podem ser extintas sem prejuízo algum ao negócio. O que estamos fazendo hoje que só nos faz perder tempo? Precisamos realmente de mais colaboradores ou só é preciso repensar e otimizar o que está sendo feito?”, questiona.
 
MANIFESTO ÁGIL
O Manifesto Ágil compreende quatro conceitos.
 
Colaborar: estabeleça uma cultura colaborativa. “Porém, hoje muitas empresas fazem o contrário, fazem avaliação de desempenho individual, fomentando a cultura individualista”, comenta Parzianello.
 
Melhorar: é preciso enxergar no que cada equipe, pessoa e o todo pode melhorar e entregar maneiras de alcançar esta melhoria.
 
Entregar: pensar a maneira de fazer para entregar algo realmente útil e lucrativo é o mote.
 
Refletir: pensar sobre o negócio, sobre as pessoas, os projetos e produtos; estabelecer uma cultura da segurança, em que as pessoas trabalhem sem medo de experimentar (com embasamento, claro). Para isso, tem de haver uma liderança de suporte, e não de punição.
 
QUEM É O PALESTRANTE
Parzianello é consultor, professor e palestrante, autor da abordagem de Análise e Gestão de Negócios denominada Lean Business Analysis, cujo objetivo é a conquista de melhores resultados empresariais a partir do desenvolvimento de capacidades de ANÁLISE (negócios, produtos, processos e projetos), GESTÃO (estratégia, informação, melhoria e mudança - Lean), LIDERANÇA (colaboração, transparência, inspeção, adaptação e auto-organização - Agile) e COMUNICAÇÃO (PNL). 
 
O palestrante também ministra a disciplina "Lean Business Analysis" em programas de pós-graduação nas instituições UNIRITTER (MBA em Desenvolvimento Ágil) e UNISC (MBA em Gestão de Processos).
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