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02/08/2017

Métodos ágeis aplicados à gestão: o pulo do gato para a transformação digital



As chamadas “metodologias ágeis” são aplicadas ao desenvolvimento de software desde a década de 80, mas receberam o nome oficial em um manifesto de fevereiro de 2001. Além de eliminar desperdícios e reduzir tempo e custo na criação de sistemas para computador, estes métodos pregam a maior interação e sinergia entre todas as partes envolvidas, melhorando os resultados tanto para a empresa fornecedora quanto para o cliente usuário do software. 
 
Tais conceitos podem ser transferidos para a gestão corporativa. É o que defende Jorge Audy, professor na Faculdade de Informática (FACIN) da PUC-RS e consultor na DBServer, especialista em Metodologias Ágeis e autor dos livros SCRUM 360°, JOGOS 360° e TOOLBOX 360°.O especialista falará sobre o tema “Liderança Ágil e Equipes Auto-Organizadas” no Grupo de Gestão de Pessoas, evento que o SEPRORGS realiza no dia 17/08, das 16h às 17h30, no auditório da entidade (Rua Felipe Camarão, 690/404 – Porto Alegre/RS). 
 
O evento é gratuito para associados e tem custo de R$ 50 para empresas não associadas. Demais informações pelo e-mail: comunicacao2@seprorgs.org.br.
 
“A alta relevância estratégica da área de TI em uma organização, negócio e mercado facilitou uma abordagem que o mercado está chamado de Agile Transformation. Especialistas como Jason Bloomberg já se manifestaram a respeito, com artigo publicado na Forbes provocando que a transformação digital exige uma transformação ágil de toda a empresa”, comenta Audy. 
 
Como fazer esta transformação ágil acontecer em toda a empresa? Para Audy, é possível adequar práticas corporativas ao conceito Agile, mas estas são apenas recursos ou ferramentas, são meios. O que é realmente necessário é implementar uma cultura ágil, contando com lideranças que potencializem o capital intelectual disponível. 
 
“É uma premissa ter líderes que saibam liderar mais que comandar. No século XXI esta possibilidade deixou de ser uma opção para ser uma exigência imposta por valores que ressignificam o papel e objetivo de cada um de nós, como profissionais, com a necessidade de compreender, contribuir, sentir-se parte real de algo do qual nos orgulhemos. Um bom líder gera um substrato e ambiente que atrai, desenvolve e retém talentos, proporciona as condições para que seus liderados atinjam de forma sustentável sua máxima performance”, sentencia o especialista.
 
Dentro desta premissa, Audy inclui, ainda, o conceito de equipes auto-organizadas. Mas, se são auto-organizadas, por que necessitam de um líder? Ele explica citando Takeushi e Nonaka, dois expoentes das Teorias de Organizações e pais da Gestão do Conhecimento moderna e de modelos relacionados aos Princípios Ágeis, segundo os quais equipes com erfil auto-organizacional têm autonomia, mas requerem uma liderança que lhes deem condições e as apoiem para que possam dedicar-se a fazer o seu melhor. 
 
“O entendimento de que auto-organização confronta o papel de liderança é um equivoco. Uma organização possui papéis e deliberações pertinentes à estratégia, táticas e técnicas, é ingênua. Em um cenário de equipe auto-organizada, líderes passam a preocupar-se mais com estratégia e futuro e menos com micro-gerenciamento”, elucida Audy.
 
Com a experiência de quem atua tanto no meio empresarial quanto no acadêmico, o profissional comenta o cenário atual da preparação de futuros empreendedores na linha de lideranças ágeis. 
 
“Sou professor em um dos maiores ecossistemas de inovação e empreendedorismo do Brasil, e observo que as oportunidades existentes para alunos, profissionais e envolvidos neste ecossistema vão desde variados eventos semanais, como programas como o S2B e Aceleradora de Equipes, a espaços como incubadora e coworking, ou o Tecna, em Viamão, e o IDEAR, além do conceito da Tripla Hélice, que é muito mais que uma teoria. Sempre haverá o que avançar, mas a cada semestre se nota melhoras em relação a estes conceitos. Permanentemente há a discussão de papéis, inovação, empreendedorismo, liderança, profissionais do conhecimento, em perfil T ou Pi. Não é uma mudança, é um movimento permanente”, finaliza.
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