BOLETIM TÉCNICO REFORMA TRIBUTARIA
ANÁLISE DO PARECER RELATOR SENADOR EDUARDO BRAGA – PLP 108/2024
Emendas do setor Acatadas Parcialmente e Encaminhamentos estratégicos no Congresso Nacional
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) apresentou, na noite de terça-feira (09), à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), o parecer [doc. anexo] ao Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 108, de 2024, de autoria do Poder Executivo, que trata da segunda etapa da regulamentação da Reforma Tributária sobre o Consumo (RTC).
A proposta disciplina a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS), formado por representantes dos estados e municípios, além de estabelecer regras para a transição do ICMS e para o processo administrativo do IBS, entre outros pontos relevantes.
No relatório, o senador acolheu 96 das 368 emendas apresentadas ao projeto. Destas, 28 foram aceitas integralmente e 68 de forma parcial, enquanto 269 foram rejeitadas e 3 retiradas pelos próprios autores. O parecer é pela constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade, e no mérito favorável ao projeto e a diversas emendas, nos termos do substitutivo apresentado.
A pauta é prioridade dentro da entidade e, nesse contexto, apresentamos a análise da situação das emendas propostas pela FENAINFO e demais entidades do setor que foram parcialmente acolhidas, reforçando a necessidade de ampliar o engajamento no Congresso Nacional até a efetiva aprovação do projeto e sua sanção pela Presidência da República.
I – ANÁLISE DAS EMENDAS FENAINFO AO PLP 108/2024
A FENAINFO e demais entidades representativas do setor, apresentaram algumas emendas ao PLP 108/2024 para tratar de demandas específicas relacionadas à cobrança das APIs e à adaptação operacional. Parte dessas emendas foi acolhida parcialmente, conforme destacado no quadro abaixo [doc. integral anexo].
O relator, ao justificar a negativa a alguns pleitos, destacou, em especial, que o prazo de 12 meses para adaptação das empresas seria excessivo, entendendo-o como inviável para a implementação da RTC.
Com isso, é necessário que os setores continuem articulando junto aos senadores e, posteriormente, na Câmara dos Deputados, para que tais pleitos sejam mantidos ou até mesmo ampliados, de modo a garantir avanços adicionais.
II - PRINCIPAIS PONTOS DO PARECER
Neste escopo apresentamos alguns dos principais pontos aprovados no projeto
O texto apresentado trouxe regras mais explícitas para o impasse entre representantes dos municípios, considerando o “atrito” entre a Frente Nacional dos Prefeitos e da Confederação Nacional dos Municípios há meses, que impactou na criação do Comitê Gestor de modo provisório.
A CNM queria a possibilidade de disputar em ambas as categorias de eleição - com voto ponderado e com voto único.
O texto determinou que a FNP indicará 13 nomes para compor a formação do colegiado até 31 de dezembro de 2025, enquanto a CNM terá 14 nomes no período. A nomeação precisa ser oficializada até 31 de outubro e a partir de 2026, as eleições dos representantes das cidades funcionarão dessa forma:
O Senador Braga seguiu o que estava supostamente acordado e, concomitantemente, deixou de atender aos pleitos parciais.
O parecer apresentou mudanças relevantes sobre a aplicação de multas e penalidades.
As penalidades não afastam a obrigação de pagamento do imposto não recolhido e, mesmo após a quitação das multas, o contribuinte ainda poderá estar sujeito, simultaneamente, a:
O texto prevê multa de 75% nos casos de lançamento de ofício, incidente sobre o tributo devido ou sobre o crédito indevido utilizado de forma irregular.
Enquanto a multa será de 100% em hipóteses de “sonegação, fraude, simulação ou conluio”, podendo chegar a 150% do valor total em caso de reincidência.
Uma inovação do relatório, em relação ao texto aprovado na Câmara, foi a diferenciação entre:
Nestes últimos casos, haverá redução de 50% da penalidade, com o objetivo de evitar injustiças e desincentivar a abertura de novos contenciosos.
Todas essas determinações estão previstas entre os arts. 341-A e 341-F da nova redação proposta para a LC nº 214.
Outra novidade em relação ao PLP aprovado na Câmara foi a criação do “valor do tributo de referência” como base de cálculo para a aplicação das multas.
Fórmula: Alíquota de Referência × Valor da Operação
Considerando as disposições do texto apresentado (art. 341-G), destacam-se alguns casos:
III - SITUAÇÃO LEGISLATIVA DA PROPOSTA
O parecer foi apresentado na CCJ em 09 de setembro, ocasião em que foi concedida vista coletiva ao PLP 108/2024.
A discussão e votação está prevista para a próxima quarta-feira (17).
Sendo aprovado na CCJ, seguirá em regime de urgência para deliberação no mesmo dia no Plenário do Senado.
O presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que o relator permanecerá à disposição até as 18h da terça-feira (16) para debater as emendas apresentadas.
Na oportunidade, o relator solicitou que não sejam protocoladas novas emendas após esse prazo.
Ainda assim, já foram registradas novas proposições, entre elas de autoria dos senadores Alan Rick (União Brasil/AC) e Marcos Rogério (PL/RO).
Por fim, o relator destacou que a tarefa só estará concluída quando for enfrentada a questão do Imposto de Renda, com especial atenção à necessidade de uma cobrança equilibrada sobre dividendos.
IV- ENCAMINHAMENTOS ESTRATÉGICOS NO CONGRESSO NACIONAL
Considerando o acolhimento das emendas, ainda que de forma parcial, e o atual estágio de tramitação do PLP, é fundamental que o setor mantenha a articulação e o engajamento político junto aos senadores e, posteriormente, à Câmara dos Deputados, de modo a assegurar que os pleitos sejam preservados ou até mesmo ampliar as conquistas já obtidas.
Emplacar emendas do setor em uma pauta de tamanho impacto para toda a economia nacional, e que hoje figura como prioritária no Congresso, tendo a bandeira firmemente puxada pela FENAINFO, é um marco importante.
Há espaço para que as propostas avancem e alcancem aceitação integral.
Nesse sentido, permanece confirmada a audiência pública na CCIS, requerida pela deputada Any Ortiz (Cidadania-RS) e já aprovada, para tratar dos impactos da RTC sobre o setor de TI. O encontro será um momento estratégico para o reforço dos argumentos técnicos e para a defesa da manutenção e/ou ampliação das conquistas obtidas no Senado.
Permanecemos à disposição para os devidos esclarecimentos.
Atenciosamente,
Fonte: AGF Advice
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