Eleições 2026: nova composição do Congresso Nacional e perspectivas para o setor de tecnologia

30/10/2026


BOLETIM TRIBUTÁRIO E LEGISLATIVO TiRS - Newsletter 29/10/2026


Eleições 2026: nova composição do Congresso Nacional e perspectivas para o Setor de Tecnologia


As eleições de 2026 promoveram mudanças na composição do Congresso Nacional, com reflexos na distribuição das bancadas partidárias e na dinâmica de articulação política para a próxima legislatura, que se inicia em 1° de fevereiro de 2027 no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.


O cenário se completa com o resultado da eleição presidencial. No segundo turno, realizado em 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Poder Executivo terá, portanto, de construir sua base de apoio em um Congresso no qual o principal partido de oposição deterá as maiores bancadas das duas Casas Legislativas.


Senado Federal


No Senado Federal, foram disputadas 54 das 81 cadeiras. O PL conquistou 19 das vagas em disputa e, somados os senadores que já têm mandato até 2031, passará de 12 para 28 senadores, consolidando-se como a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde 1988. O recorde anterior pertencia ao MDB (então PMDB), que iniciou a legislatura de 1999 com 27 senadores. O PSD, por sua vez, registrará a maior redução, iniciou a atual legislatura com 15 senadores, chegou a 2026 com 13 e deverá contar com cinco representantes.


A renovação também alcançou os mandatos parlamentares: 40 dos senadores eleitos são novos na Casa, enquanto 14 foram reeleitos, o que eleva a renovação do Senado a 49,38% de sua composição total. Treze partidos terão representação na Casa, o maior número de siglas desde a redemocratização. A bancada feminina também alcançará patamar recorde, com 18 senadoras a partir de 2027.


Cabe ressaltar que esses números são projeções e podem sofrer alterações até a posse, em razão de substituições já previstas (como nos casos de senadores eleitos governadores), de pendências judiciais e de eventuais trocas partidárias.


Câmara dos Deputados


Na Câmara dos Deputados, todas as 513 cadeiras estiveram em disputa. O PL elegeu 121 deputados, ante 99 em 2022, e terá a maior bancada eleita por um único partido desde a Constituição de 1988. Na sequência aparecem PT, com 70 deputados, União Brasil, com 46, PSD, com 43, e PP e Republicanos, com 41 cada.


Considerando as federações partidárias, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) elegeu 88 deputados, e a Federação União Progressista (União Brasil e PP), 87. Nenhuma legenda alcançou sozinha a maioria das cadeiras, o que mantém uma Câmara fragmentada e reforça a necessidade de composição entre bancadas.


A Câmara terá 183 parlamentares em primeiro mandato, o que corresponde a uma taxa de renovação de 35,67%, a menor registrada desde 1990. A Casa contará ainda com a maior bancada feminina de sua história. Entre os deputados federais mais votados estão Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP), esta última a mulher mais votada do país.


Bancada do Rio Grande do Sul


No Rio Grande do Sul, foram eleitos para o Senado Federal Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo), que ocuparão, no mandato de 2027 a 2035, as cadeiras de Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP), que não disputaram a reeleição.


Na Câmara dos Deputados, a bancada gaúcha, composta por 31 parlamentares, teve 39% de renovação. O PL dobrou sua representação, passando a oito deputados, e tornou-se a maior bancada gaúcha na Casa. Ao todo, 11 partidos representarão o Estado na Câmara, ante 14 em 2022.


Quóruns legislativo e articulação política


A nova distribuição das cadeiras do Senado Federal merece atenção especialmente em relação às matérias que exigem quóruns qualificados. De acordo com o levantamento realizado, o grupo classificado como direita reunirá 50 das 81 cadeiras, enquanto esquerda e centro contarão com 15 senadores cada.


Ademais estima-se que 49 senadores são alinhados à oposição ao governo federal, número que deve ser interpretado como um mapeamento político sujeito a variações, uma vez que o alinhamento partidário não garante posicionamento uniforme em todas as votações. Destaca-se que esse número coincide com o quórum necessário para a aprovação de propostas de emenda à Constituição no Senado.


No Senado, são necessários 41 votos para matérias sujeitas à maioria absoluta, como projetos de leis complementares e determinadas indicações, 49 votos para aprovação de propostas de emenda à Constituição, em dois turnos, e 54 votos para o quórum de dois terços, exigido, por exemplo, no julgamento de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal.


Na Câmara dos Deputados, são necessários 257 votos para matérias sujeitas à maioria absoluta, como projetos de leis complementares, 308 votos para aprovação de propostas de emenda à Constituição, em dois turnos, e 342 votos para o quórum de dois terços, exigido, por exemplo, para autorizar a instauração de processo contra o Presidente da República.


Esses números evidenciam a importância das negociações entre bancadas e do acompanhamento da tramitação legislativa, especialmente em matérias que dependem de maiorias qualificadas.


O que acompanhar no setor de tecnologia da informação


A nova composição do Congresso representa um ponto de partida para o monitoramento da agenda legislativa federal nos próximos anos. A distribuição das bancadas, a formação das comissões e a atuação dos parlamentares poderão influenciar a discussão e a tramitação de propostas com efeitos sobre o ambiente de negócios das empresas de tecnologia.


Entre os temas que merecem acompanhamento, destacamos os seguintes:



  • Reforma Tributária: tramitação de normas complementares, regulamentação e medidas com potencial impacto sobre a carga tributária e as operações das empresas de tecnologia.

  • Inovação e desenvolvimento tecnológico: propostas de incentivo à pesquisa, ao desenvolvimento, à transformação digital e à competitividade das empresas brasileiras.

  • Ambiente de negócios e competitividade: iniciativas legislativas que possam alterar obrigações, custos operacionais e condições de atuação das empresas do setor.

  • Regulação e políticas públicas de tecnologia: projetos relacionados à digitalização de serviços, à infraestrutura tecnológica e às condições de contratação e prestação de serviços de TI.

  • Articulação institucional: acompanhamento dos parlamentares, das comissões temáticas e das lideranças responsáveis pela condução das pautas de interesse do setor.


Monitoramento legislativo e atuação institucional


Diante da nova composição parlamentar, o acompanhamento sistemático da agenda legislativa será fundamental para identificar oportunidades de contribuição aos debates públicos e acompanhar propostas capazes de produzir efeitos sobre as empresas.


A análise das proposições em tramitação, dos relatores designados, das audiências públicas e das articulações nas comissões permitirá antecipar possíveis impactos regulatórios e subsidiar o posicionamento institucional do setor.


A nova legislatura terá início em 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares eleitos tomam posse e são escolhidas as Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A eleição dos presidentes das Casas, responsáveis pela definição da pauta do plenário, e a posterior composição das comissões permitirão aprofundar o mapeamento dos espaços de decisão e das pautas prioritárias para o setor de tecnologia da informação.


Elaborado por


AGF Advice | Consultoria Tributária e de Relações Governamentais


TiRS by SEPRORGS



Mais notícias

NEWSLETTER

Receba novidades em seu e-mail

sombra

PORTFÓLIO

Nossos associados

HYPERVISUAL
CONSTRUTIVA INTERNET SOFTWARE
FINANCE
RJM INFORMATICA
INTEROP
DOMINIO
SALUX
RECH SISTEMAS DE GESTÃO
SIL SISTEMAS
ATLAS TECHNOLOGIES
CONECTT
DBSELLER INFORMATICA
INTRODUCE TECNOLOGIA PARA CRESCER
Windel Sistemas Ltda
CWI Software
sombra