O Rio Grande do Sul pode dar um passo importante na modernização da gestão pública e no fortalecimento do ecossistema de tecnologia e inovação.
Tramita na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 115/2026, de autoria do Deputado Felipe Camozzato (NOVO), que institui o Programa Gaúcho de Contratação de Soluções Inovadoras – Start RS.
A proposta tem como objetivo incentivar o uso do Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI), instrumento previsto no Marco Legal das Startups (Lei Complementar nº 182/2021), permitindo que o poder público contrate soluções ainda em desenvolvimento para resolver desafios concretos da administração.
Na prática, o modelo rompe com a lógica tradicional das licitações, que priorizam a aquisição de produtos já prontos, e passa a focar na resolução de problemas públicos, abrindo espaço para empresas de tecnologia, startups e desenvolvedores apresentarem soluções inovadoras.
Oportunidades para o Setor de Tecnologia
O projeto cria um ambiente significativamente mais moderno e aderente à dinâmica da inovação, ampliando o espaço para empresas de TI atuarem como parceiras estratégicas do poder público e não apenas como fornecedoras de produtos padronizados.
A seguir vejamos os principais pontos da proposta:
Em conjunto, esses elementos sinalizam uma mudança estrutural na forma como o setor público se relaciona com a tecnologia, de um modelo centrado na aquisição de sistemas prontos para um modelo orientado à co-criação de soluções. Para o setor de TI gaúcho, isso pode representar não apenas aumento de mercado, mas também um estímulo à inovação, à competitividade e ao desenvolvimento de soluções com potencial de escala nacional e internacional.
Redução de Barreiras e Estímulo ao Ecossistema
O programa também se destaca por enfrentar um dos principais gargalos da inovação no setor público, as barreiras operacionais e institucionais que dificultam a contratação de soluções tecnológicas.
Nesse sentido, a proposta prevê um conjunto de ações estruturantes voltadas à qualificação da máquina pública e à criação de um ambiente mais acessível e previsível para empresas de tecnologia.
Entre essas medidas, ganha relevância a capacitação de servidores públicos, que passa a ser tratada como elemento central para viabilizar contratações mais sofisticadas. Na mesma linha, a padronização de editais tende a diminuir assimetrias e incertezas, tornando os processos mais claros, replicáveis e atrativos para empresas, especialmente aquelas que ainda não atuam no mercado público.
Outro eixo importante é a promoção de iniciativas de aproximação entre governo e setor privado, como eventos de apresentação de soluções, rodadas de pitch e demonstrações tecnológicas. Esses espaços funcionam como canais diretos de diálogo, permitindo que empresas compreendam melhor as demandas públicas e que o Estado conheça, de forma mais dinâmica, as capacidades disponíveis no mercado.
Além disso, a utilização de ambientes de sandbox regulatório representa um avanço relevante ao permitir que novas tecnologias sejam testadas em condições reais, porém controladas, com flexibilização temporária de normas.
Por fim, o projeto adota uma diretriz importante ao deixar claro que não há criação de novas despesas autônomas. A proposta está estruturada para otimizar o uso dos recursos já existentes, buscando maior eficiência na alocação do gasto público. Nesse sentido, a inovação não é tratada como aumento de custo, mas como instrumento de qualificação da despesa, alinhando modernização administrativa com responsabilidade fiscal.
A proposição ainda prevê a publicação anual de relatórios com indicadores de desempenho, incluindo número de desafios lançados, contratos firmados e resultados alcançados, garantindo transparência e controle social sobre a política pública.
O TiRS acompanha com atenção a tramitação da proposta, tendo em vista sua relevância para o fortalecimento do setor de tecnologia da informação no Rio Grande do Sul, Alinhada às tendências de inovação aberta, a iniciativa pode representar um avanço significativo na relação entre o setor público e o ecossistema tecnológico, com impactos relevantes especialmente ao ampliar o acesso de empresas locais ao mercado público, fomentar o desenvolvimento de soluções sob demanda, fortalecer startups e empresas de base tecnológica e acelerar a digitalização e modernização dos serviços públicos.
Elaborado por
AGF Advice – Consultoria Tributária e de Relações Governamentais
Consultoria de Relações Governamentais do TiRS
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