A aproximadamente duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, os levantamentos de intenção de voto divulgados ao longo do mês de setembro mostram aproximação entre os percentuais atribuídos aos principais candidatos à Presidência da República, especialmente nos cenários de segundo turno. Os resultados, contudo, apresentam diferenças entre os institutos, que devem ser analisadas considerando as respectivas metodologias, períodos de coleta e margens de erro.
A pesquisa Quaest, divulgada em 21 de setembro, entrevistou 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, presencialmente, entre os dias 17 e 20 de setembro, em levantamento realizado em todo o país. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Grupo Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06004/2026.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula (PT) aparece com 37% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 33%. Na sequência estão Augusto Cury (Avante), com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema (Novo), com 1%. Em relação à rodada anterior, Lula oscilou de 36% para 37%, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 31% para 33%.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a mesma pesquisa registrou 42% para Flávio Bolsonaro e 41% para Lula, resultado dentro da margem de erro. O levantamento também apontou 56% de rejeição a Flávio Bolsonaro e 55% a Lula. Na avaliação do governo federal, 44% dos entrevistados declararam aprovar a administração e 50% afirmaram desaprová-la.
O Datafolha, divulgado em 17 de setembro, ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais, em 125 municípios, entre os dias 15 e 17 de setembro. A coleta é realizada por meio de entrevistas presenciais, com amostra estruturada para representar diferentes regiões e perfis sociodemográficos. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrada no TSE sob o número BR-04029/2026.
No primeiro turno, o Datafolha registrou 39% para Lula e 36% para Flávio Bolsonaro, diferença que permanece dentro da margem de erro. No segundo turno, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%. Na rodada anterior, Lula mantinha 39%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 35%, indicando redução de um ponto percentual na diferença entre os dois candidatos.
Já a pesquisa Futura/100% Cidades, divulgada em 17 de setembro, utilizou uma metodologia diferente das duas anteriores, foram realizadas entrevistas por telefone com 2.000 eleitores de 16 anos ou mais, em todo o país, entre os dias 11 e 15 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos do próprio instituto e está registrado no TSE sob o protocolo BR-00749/2026.
No primeiro turno, a Futura/100% Cidades apresentou 38,3% para Lula e 37,7% para Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, os dois candidatos estão tecnicamente empatados. No cenário de segundo turno, o levantamento também testou uma disputa entre os dois candidatos e registrou vantagem numérica para Flávio Bolsonaro.
A comparação das pesquisas realizadas ao longo de setembro mostra redução das diferenças entre os principais candidatos em determinados cenários, sobretudo nas simulações de segundo turno. Na Quaest, por exemplo, a diferença no primeiro turno passou de cinco para quatro pontos percentuais entre a rodada anterior e o levantamento de 21 de setembro. No Datafolha, a diferença passou de quatro para três pontos percentuais no mesmo período.
As diferenças entre os institutos, por sua vez, devem ser interpretadas à luz das características de cada levantamento, incluindo período de coleta, tamanho e composição da amostra, metodologia utilizada e margem de erro. Por esse motivo, resultados de pesquisas realizadas em períodos próximos podem apresentar variações sem que isso necessariamente represente uma mudança efetiva na intenção de voto.
A variação observada nas pesquisas pode estar relacionada a diferentes fatores, especialmente à proximidade do primeiro turno. Com o avanço da campanha, os eleitores passam a ter maior exposição aos candidatos, propostas, debates, propaganda eleitoral e informações veiculadas pela imprensa e pelas redes sociais, o que pode contribuir para a definição de preferências anteriormente não consolidadas.
Outro aspecto é a concentração das preferências eleitorais. À medida que a eleição se aproxima, parte dos eleitores pode alterar sua escolha ou concentrar sua intenção de voto entre os candidatos que apresentam maior percentual nas pesquisas. Eventuais movimentos de transferência ou concentração de votos podem produzir alterações nos resultados dos levantamentos.
A avaliação do governo federal também constitui um dos indicadores acompanhados pelas pesquisas. Na pesquisa Quaest divulgada em 21 de setembro, 50% dos entrevistados declararam desaprovar a administração federal e 44% afirmaram aprová-la. Esses dados não correspondem diretamente à intenção de voto, mas ajudam a contextualizar o ambiente de opinião pública no período em que os levantamentos foram realizados.
Além disso, acontecimentos políticos e econômicos de grande repercussão podem influenciar a percepção dos eleitores. Entretanto, a identificação de uma relação causal entre determinado acontecimento e uma alteração nas intenções de voto exige cautela, uma vez que as pesquisas, isoladamente, não permitem determinar a causa de uma oscilação.
Os levantamentos divulgados na segunda quinzena de setembro apresentam aproximação entre os principais candidatos, sobretudo nos cenários de segundo turno. No primeiro turno, Lula aparece numericamente à frente nas pesquisas Quaest, Datafolha e Futura/100% Cidades, embora com diferenças que variam entre os institutos e, em alguns casos, permanecem dentro das respectivas margens de erro.
O conjunto dos levantamentos deve ser compreendido, portanto, como um retrato do cenário eleitoral no período em que cada pesquisa foi realizada. Pesquisas eleitorais não constituem previsão do resultado, e sua interpretação deve considerar a data do trabalho de campo, o tamanho e a composição da amostra, a margem de erro, a metodologia empregada e o cenário eleitoral testado. Eventuais alterações entre levantamentos distintos podem decorrer tanto de mudanças efetivas na intenção de voto quanto de variações amostrais e metodológicas.
Elaborado por
AGF Advice | Consultoria Tributária e de Relações Governamentais
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